sábado, 23 de novembro de 2013

O Pêndulo da Sabedoria

Quanto mais quiseres ver o todo, mais altos vôos deves alçar.
Quanto mais alto fores, mais rarefeito vais respirar.
Aqui também é preciso saber a hora de parar ou retroceder para nao morrer sem ar.
Assim, se queres a verdade, também é preciso nao querê-la por inteiro.
Neste mundo, o que realmente há de inteiro sao nossas dúvidas, estas mesmas que nos fazem buscar sem a pretensao de chegar, pois ser sábio é ser humilde, é saber o seu lugar. É saber que o alto, até para os pássaros, é local de breve visita, assim como para uma estrela, que lá parece habitar, mas um dia também parte, deixando um imenso buraco negro em seu lugar.
Ser sábio é saber a hora de ir e a hora de voltar.
Ser sábio é nao deixar-se cristalizar, é nao deixar-se habituar, é deixar sair o velho para o novo entrar.
Para crescer em sabedoria, oxigenar-se é preciso, indo do útil ao fútil, do alto para o baixo, mas também é preciso passar sufoco, sair da zona de conforto, indo do fútil ao útil, do baixo para o alto, para o rarefeito buscar.

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Facebook: O Diário Otário

Nao queremos saber o que você faz, mas o que vocë pensa sobre o que faz.
O que vocë pensa sobre o que faz nos ajuda a fazer melhor.
Quando fazemos melhor, pensamos sobre o porque da melhoria.
Se falamos sobre este pensamento, podemos também te ajudar a pensar melhor para fazer melhor.
Eis porque, há mais de dois mil anos atrás, Sócrates já dizia: "Pessoas comuns falam sobre coisas, pessoas mesquinhas falam sobre pessoas, pessoas inteligentes falam sobre idéias".
Portanto, nao sao seus fatos ou fotos que nos tocarao verdadeiramente, mas as legendas que podes dedicar aos mesmos, contendo suas percepcoes, emocoes, sentimentos ou conclusoes.

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

O Forte

Pensemos juntos:
Polo positivo: de onde sai energia, o que doa energia, faz mover, cria calor, certo?
Polo negativo: o que recebe, o que tende a imobilidade, o que esfria, certo?
Nao pensemos em SER... SER parece algo longo, demorado, parece que é isso e acabou, nao dá pra mudar, melhorar, etc... Pensemos no aqui e agora, pensemos em ESTAR.
Como será que queremos estar agora?
Eu, por exemplo, no momento, prefiro estar positivo, o que, na pratica, redunda em nao estar negativo, querendo RECEBER, ou seja, redunda em esquecer ou diminuir de prioridade os próprios desejos e agendas para, de alguma forma, oferecer-se altruisticamente aos outros, nao mais "porque ta na bíblia", ou porque você leu/assistiu no "The Secret", ou papai e mamae falaram que assim q é legal, mas porque até a ciência diz que pra SER positivo, pra SER (+) mais, é necessário estar doando e, tanto analogamente quanto metaforicamente, que incentivemos, que sejamos calorosos, que ampliemos o animo dos que nos cercam. Se eu sou positivo, eu sou MAIS eu e MENOS você, ou seja, eu transbordo, eu nao "preciso" de você, nao te parasito, eu sou doador de energia, alegria, movimento, calor, etc.
A própria ciência ja demonstra em laboratório que o simples ato de sorrir, mesmo que forçadamente, gera reaçoes bioquímicas que sao favoráveis ao funcionamento cerebral.
Sob este prisma, especificamente, ESTAR alegre nao é um estado emocional consequente de determinado evento, mas uma postura diante da vida e das pessoas, uma escolha que demanda disciplina, coragem e o simples discernimento de que "nao precisar do outro" nao significa despreza-lo, mas desapegar-se dele como se este fosse uma soluçao, por vezes mágica, para nossos próprios problemas, pois, do contrário, estaríamos SENDO negativos, ou seja, impulsionados a um  relacionamento em troca da recepçao de energia. Claro que voce também doaria, mas a mola mestra da relaçao nao viria da vontade de doar e sim da de receber.
O que seria o viver senao um fluxo continuo de "ESTARES", por vezes (grande maioria, creio) mais negativo, por vezes mais positivo? Assim, por essa crença no parentese anterior, registro aqui minha admiraçao por aqueles que conseguem estar, na maior parte do tempo, positivos. Muitos de vocês poderao parecer bobos alegres ou pessoas (ditas) FELIZES, mas, pra mim, serao sempre grandes corajosos.
Ser MAIS nao é sinônimo de ser melhor, eis por que, talvez, nao tenhamos nascido para almejar a felicidade como algo constante,  como uma condiçao perene de existência, mas apenas para que aprendamos sobre este mecanismo de alternância e, assim, na maioria das vezes, possamos ser MAIS do que estejamos acostumados a ser devido a tanta influencia de desgraças e problemas, tanto fora quanto dentro da maior parte de nós, para, entao, em vez de morrermos felizes, morrermos fortes.
Talvez, aos olhos da maioria, o forte nao tenha sido feliz, mas tenha conquistado - a despeito dos infortúnios externos - a paz interna necessária para reconhecer, recordar, criar, recriar e, até mesmo, simular momentos felizes.

terça-feira, 5 de novembro de 2013

O Tédio no Camarote Digital

Ter com quem compartilhar nao é tao bom quanto ter com quem se preocupar.
Como nao podemos nos preocupar com muitos, que sejam poucos e, inevitavelmente, bons.
Eis o limiar de quando a tecnologia mais nos afasta do que nos aproxima.
Aqui estamos todos tao perto uns dos outros que acabamos sendo vistos fora de foco, como quando olhamos uma imagem muito próxima de nosso rosto - como se na vida real ja nao fosse difícil desvendar/se aproximar o que se passa com uma pessoa, agora, nas redes digitais, elas podem escolher melhor que imagem passar aos outros.
O que se movimenta mais rápido sempre chama mais atençao, e o homem da cidade pira quando está sem sua droga: a velocidade.
O tempo urge, a vida é curta, o carro tem que ser potente, senao nao "agregamos valor". Assim, acabamos voltando nossa atençao para o movimento frenético da rede digital, enquanto desconhecemos completamente o que povoa o coraçao dos que nos sao mais caros, pois, para estes, também acabamos olhando rápido demais para podermos perceber e sentir.
Lá fora, uma mesmice, já que ninguém fala sobre idéias, a nao ser sobre coisas ou pessoas. Aqui dentro, uma novidade a cada minuto ou um museu de grandes novidades, onde frases de efeito, de 200 anos atras, ganham moldura e voz de formas, por vezes, escusas.
Conquistamos o fim do tédio em troca do fim do esmero.
*Fogo de palha, tesao de urina. Cuidado homem da cidade. Mais do que apenas uma batalha, esta pode ser sua sina.