Ter com quem compartilhar nao é tao bom quanto ter com quem se preocupar.
Como nao podemos nos preocupar com muitos, que sejam poucos e, inevitavelmente, bons.
Eis o limiar de quando a tecnologia mais nos afasta do que nos aproxima.
Aqui estamos todos tao perto uns dos outros que acabamos sendo vistos fora de foco, como quando olhamos uma imagem muito próxima de nosso rosto - como se na vida real ja nao fosse difícil desvendar/se aproximar o que se passa com uma pessoa, agora, nas redes digitais, elas podem escolher melhor que imagem passar aos outros.
O que se movimenta mais rápido sempre chama mais atençao, e o homem da cidade pira quando está sem sua droga: a velocidade.
O tempo urge, a vida é curta, o carro tem que ser potente, senao nao "agregamos valor". Assim, acabamos voltando nossa atençao para o movimento frenético da rede digital, enquanto desconhecemos completamente o que povoa o coraçao dos que nos sao mais caros, pois, para estes, também acabamos olhando rápido demais para podermos perceber e sentir.
Lá fora, uma mesmice, já que ninguém fala sobre idéias, a nao ser sobre coisas ou pessoas. Aqui dentro, uma novidade a cada minuto ou um museu de grandes novidades, onde frases de efeito, de 200 anos atras, ganham moldura e voz de formas, por vezes, escusas.
Conquistamos o fim do tédio em troca do fim do esmero.
*Fogo de palha, tesao de urina. Cuidado homem da cidade. Mais do que apenas uma batalha, esta pode ser sua sina.
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